Quinze pessoas são presas em operação do MPMG de combate ao tráfico de animais silvestres no estado e no Rio de Janeiro

Por Rodrigo Matarazzo em 08/08/2020 às 11:27:07
Mais de 140 pássaros foram apreendidos em 12 cidades mineiras e dois municípios fluminenses. Ação investiga grupo com mais de 300 pessoas que usa aplicativo de celular para negociar venda ilegal de aves silvestres. Pássaro apreendido durante Operação 'Libertas'

MPMG/Divulgação

O Ministério Público de Minas Gerais (MPMG) informou que 15 pessoas foram presas em flagrante durante a segunda fase da "Operação Libertas", deflagrada na sexta-feira (7) para combate ao tráfico de animais silvestres na Zona da Mata, Região Metropolitana e Central do estado, Centro-Oeste, Sul de Minas Gerais e no estado do Rio de Janeiro.

A 6ª Promotoria de Justiça de Santa Luzia não informou em quais cidades as prisões ocorreram. Foram expedidos e cumpridos 26 mandados de busca e apreensão em Santa Luzia, Belo Horizonte, Ribeirão das Neves, Contagem, Sabará, Vespasiano, Juatuba, Paraopeba, Carandaí, Campo Belo, Perdigão, Viçosa, Rio de Janeiro e Itaguaí (RJ).

Além dos presos, a operação recuperou, no total, 142 pássaros, sendo que alguns estavam com anilhas adulteradas. Foram apreendidas gaiolas, alçapões, 25 celulares, três notebooks e um pendrive. O Ministério Público reforçou que os números correspondem à todas as cidades que foram alvo da operação.

'Operação Libertas'

As investigações realizadas pelo Ministério Público identificaram um grupo de apanhadores e comerciantes ilegais de pássaros silvestres com base em Santa Luzia, na Região Metropolitana de Belo Horizonte que vendiam os animais para diversas partes do estado e também no Rio de Janeiro.

Segundo o MPMG, esta é a segunda fase da "Operação Libertas". A primeira ocorreu em abril de 2019, nos municípios de Santa Luzia, Belo Horizonte e Ribeirão das Neves, quando foram apreendidos instrumentos utilizados para transporte de aves, gaiolas, celulares, notebooks e outros equipamentos eletrônicos. Também foram resgatados pássaros silvestres em cativeiro irregular, sendo que alguns deles estavam em situação de maus-tratos.

Nesta nova fase, as ações foram ampliadas para outros municípios. De acordo com o Ministério Público, as investigações apontaram que o grupo tem mais de 300 membros que usam um aplicativo de celular para fazer encomendas e negociações dos animais, que eram vendidos ilegalmente em diversas parte de Minas Gerais e no Rio de Janeiro.

A legislação de Crimes Ambientais prevê que aquele que apanhar, vender, guardar, adquirir, ter em cativeiro ou transportar animais silvestres sem autorização dos órgãos ambientais está sujeito à pena de detenção de seis meses a um ano, além de multa.

O Ministério Público apura ainda a possível caracterização do crime de associação criminosa, cuja pena é de reclusão de um a três anos.

Em Minas, participaram da operação dois promotores de Justiça, três servidores do MPMG, 28 viaturas e 58 policiais da Polícia Militar de Meio Ambiente de Minas Gerais, três servidores do Instituto Estadual de Florestas (IEF), quatro viaturas e 11 servidores do Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama).

No Rio de Janeiro, os mandados foram cumpridos pelo Grupo de Atuação Especializada em Meio Ambiente (Gaema), com apoio da Coordenadoria de Segurança e Inteligência do Ministério Público do Estado do Rio de Janeiro e do Batalhão Florestal da Polícia Militar (RJ), onde foram empenhados dois promotores de Justiça, 20 agentes e seis viaturas.

Fonte: G1

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